sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Sobre o meu amigo João.

Algumas figuras aqui no blog são tão conhecidas quanto a autora [quero dizer eu]. O meu amigo João Paulo é uma destas.

E quando eu falo e escrevo o termo 'meu amigo João' é porque eu sei que eu posso chamá-lo de meu [é quando se manifesta aquele sentimento de posse que eu tenho e que não escondo de ninguém].

A ideia de falar que o João é meu está intimamente ligada à mesma sensação de não querer que todas as pessoas do mundo leiam Clarice. Aliás, Clarice também é minha. Tão minha que eu me confundo com o que ela escreve e que eu a protejo de todas as pessoas que não seriam capazes de admirá-la com o requinte a que ela merece.

E o João, assim como Clarice, é uma conquista minha, um tesouro só meu. Não falo com ele todos os dias. Assim como, não leio Clarice toda hora. Mas, a sensação que tenho é de que somos entrelaçados dentro do coração.

Clarice me encanta por ter dito o que eu queria ter pensado e escrito. O João, pela leveza com que ele me compara às coisas mais lindas. Pela sutileza com que ele me lê. Pela delicadeza com que ele seleciona palavras para me definir. Pela sabedoria com que ele me fragmenta no todo.

Almoçar o João, lanchar o João ou simplesmente sorver o João é algo que me fascina. É propriedade que é só minha porque eu tenho orgulho de dizer que eu  o entendo há muito mais tempo a que qualquer outra pessoa.

Aliás, eu comecei a ler o João em outra língua [não tenha pensamentos tolos]. Ele querendo me convencer que Saramago era melhor a que Shakespeare 'ainda é' [risos]. Eu querendo que ele entendesse que o amor de Shakespeare não se vê com os olhos, mas com o coração.

E assim, a gente construiu uma ligação de carinho, admiração, respeito, conhecimento. Por sinal, na mesma frequencia de reciprocidade. E na mesma sintonia do amor.

Embora o João e eu não nos encontremos com certa regularidade, tenho sempre a impressão de que vi e falei com ele há alguns minutos atrás.

É uma impressão tão nítida que me repassa na mente a singularidade com que ele me atende a cada ligação e com que ele me abraça a cada encontro.

E me dá a certeza de que sorver o João é tão bom quanto almoçá-lo [só para ele entender].

Jõao, amigo querido, por tudo que você é em mim, eu sou melhor.

Beijos no seu coração.

Nenhum comentário: