terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Não ao teatro.

As marionetes – também conhecidas como fantoches - são bonecos de pano ou de qualquer outro material, representando pessoas ou animais, movidos por meio de cordeis manipulados por pessoa oculta atrás de uma tela, em um palco, em geral, em miniatura. 

Em relação a elas, eu tenho dois arrependimentos: um, porque eu acabei com a marionete que a minha mãe construiu tão lindamente na sua época de escola; outro, porque eu deixei de comprar [em Londres] a marionete mais linda que eu já vi em toda a minha vida.

E ai, eu abro um colchete para dizer que a minha verdadeira intenção para com elas não era de aprender a conduzir a vida de ninguém; e sim, de treinar a minha capacidade criativa e o equilíbrio das minhas próprias mãos.

Mas, vamos lá. Não é bem sobre marionetes, em si, que eu quero falar. Até admiro a postura delas no palco. E, mais ainda, admiro a postura de quem as conduz. Porque é preciso ter equilíbrio, criatividade oculta e muito talento para dar o efeito de veracidade às suas expressões [digo, das marionetes].

Porém, quando, na vida real, você torna pessoas seus 'fantoches pessoais', já não sei dizer se há  tanta beleza e talento no verbo 'conduzir' [a vida do outro].

Vem, imediatamente à minha mente, a ideia de que ser instrumento de diversão nas mãos dos outros é o mesmo que levar a vida em carrinho de desenho animado. Ou seja, a gente demora para pegar no tranco. E, muitas vezes, morre a um passo de ter saído do lugar.

Viver dirigido não canaliza as nossas capacidades expressivas. Nem nos distingue do nosso condutor. Apenas nos faz viver no mesmo lugar. E, ainda que seja no palco, a movimentação é 'totalmente' do outro.

Sinto pelo teatro de marionetes que eu sou obrigada a assistir todos os dias.

Sinto pelas vidas mal conduzidas e as falas tão pouco criativas que eu sou obrigada a ouvir, mesmo quando não estou para o teatro.

Mas, se este tipo de espetáculo até hoje é encontrado nas obras de escritores famosos, como Goethe, Voltaire, Anatole France, Charles Dickens e outros, por que não vivenciá-las no trabalho em pleno século XXI?

Claro que podemos. O ruim é ter que ser plateia diariamente. Porque me falta  uma dose de paciência para permanecer sentada. E pouca disposição para o riso frouxo.

2 comentários:

  1. Complicado esse teatro da vida real, neh?
    Quando somos plateia, nem sempre podemos ser críticos...
    Nem sempre podemos entrar na peça pra conduzir da maneira certa cada um dos personagens ou ainda, é impossível, muitas vezes, soltar as marionetes das mãos dos condutores - algumas não tem vida msm e dão com a cara no chão!
    Acho que o mais triste é qdo a pessoa é manipulada e nem sabe... essa vida é arrancada dela msm...

    Cruel...

    (adorei o texto! Bjks mil!)

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  2. Manuzinha querida, estarei me ausentando do blog por uns dias, estou de ida à SP, compras pra lojinha.
    Não me esqueçe, ok?
    Tbm tenho memórias sobre marionetes.
    Beijos carinhosos,
    Nena.

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Pelo seu comentário, sorrio por dentro.